Foi em meados da década de 1980 que em virtude do crescimento da riqueza e da influência das empresas multinacionais se começou a apostar verdadeiramente nas marcas. Segundo Naomi Klein na sua obra No Logo “… as empresas podem produzir produtos, mas o que os consumidores compram são as marcas” (Naomi Klein “No Logo”) e é deste significado que a marca tem para o consumidor que nasce a sua unicidade e património, até porque uma marca que não se diferencia deixa de ter significado, perde o seu valor simbólico, que vai muito além da soma do seu património físico e volume de vendas.
Na verdade aquilo que distingue a marca é o conjunto de atributos que esta detém, o conjunto de valores que usa para identificar um estilo de vida e ter determinado significado para o consumidor em detrimento de outras marcas que partilham a mesma categoria de produto, exactamente como é referido por Keller no seu livro Strategic Brand Management, “What distinguishes a brand from unbranded commodity counterpart and gives it equity is the sum total of consumers’ perceptions and feelings about the product’s attributes and how they perform” (Keller; 2008) As marcas são neste sentido respostas simbólicas aos desejos dos consumidores, são aquilo que lhes vai permitir a tão desejada diferenciação, que permite alimentar o sistema económico e fazer com que se continue a consumir, o valor da marca está cada vez mais longe de ser um património tangível.
A importância da componente emocional das marcas é reconhecida tanto no meio empresarial como académico. O conceito Emotional Branding surgiu no final dos anos 90 como uma autoproclamada correcção às abordagens à gestão de marcas centradas nos benefícios do produto. Os gurus do Emotional Branding desafiam a abordagem centrada nos benefícios argumentando que esta abordagem, centrada num benefício único não será capaz de ser douradora uma vez que pode facilmente ser igualada. Insistem pelo contrário que o significado das marcas deve inspirar paixão e lealdade nos consumidores.
A marca deve entrar num registo de “story-telling” que irá inspirar a cativar os consumidores, estas histórias contadas devem mostrar que a marca efectivamente compreende o estilo de vida, sonhos e objectivos dos consumidores.
No decorrer dos anos 90 o Emotional Branding emergiu como um paradigma cada vez mais relevante na área de gestão de marcas (Gobe 2001; Zaltman 2003). Gobe (2002), afirma que “os consumidores actuais não querem apenas ser cortejados pelas marcas, os consumidores escolhem introduzir as marcas nas suas vidas e querem estabelecer uma relação de compreensão total com essa marca, isto significa que eles querem que a marca desempenhe um papel positivo e proactivo nas suas vidas. Roberts em 2004 afirmava que o Emotional branding é uma abordagem relacional, centrada no consumidor que pretende forjar a criação de laços duradouros e profundos com os consumidores”.
Porque não existe nada melhor que ouvir um “guru” do Emotional Branding aqui fica um vídeo onde Marc Gobe apresenta algumas das principais características desta técnica: VANTAGENS
- Permite criar laços duradouros com as marcas
- Aumenta a fidelidade
DESVANTAGENS
- O discurso da marca tem que ser verdadeiro isto implica fazer toda a cadeia de valor da marca ser coincidente com a promessa emocional celebrada com os consumidor, o que pode apresentar custos elevados
EXEMPLOS
BIBLIOGRAFIA
Craig J. Thompson, Aric Rindfleisch, & Zeynep Arsel (2006) Emotional Branding and the Strategic Value of the Doppelgänger Brand Image, Journal of Marketing Vol. 70 (January 2006), 50–64, American Marketing Association
Gobe, Marc (2001), Emotional Branding: The New Paradigm for Connecting Brands to People. New York: Allworth Press.
Klein, Naomi (2002) “No Logo – O poder das marcas” , Relógio d’Água Editores
Keller, Kevin Lane; Apéria, Tony, Georgson, Mats (2008) Strategic Brand Management: A European Perspective
Roberts, Kevin (2004), Lovemarks: The Future Beyond Brands. New York: Powerhouse Books.
Travis, Daryl (2000), Emotional Branding: How Successful Brands Gain the Irrational Edge, Prima Publishing, Roseville, CA





